sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Linda crônica de Fernanda Torres que recebi de Paula Calafange
A dança da morte - Fernanda Torres A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi omelhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos deparceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela sepassa no início do século passado e conta a história de um generalaposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em umfarol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde comeles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por dozevertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua maisderradeira solidão. Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general daI Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lápelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando emtorno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque daesposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC.A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alicearrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo. Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viusabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria aacontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce,amorosa e redentora. São as mensagens que recebemos ao longo da vida.Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde,no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer quemeu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante arepresentação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, comoa neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era umproblema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levouvinte anos para acontecer.Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numacrônica.Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para osfilhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modestoperfil.Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce esádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor eator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro.Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dostempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissãoetérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plenaCinelândia ele gritou:'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica.Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo aele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso,comopude fazê-lo inclusive à ele mesmo, sem achar que lhe faltava o respeito,isso me fez forte, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu,Buenos Aires e as montanhas russas. Que tudo inclusive as brigas devem serencaradas de frente, sem medos, sem receios, porque viver, é ter coragem deencarar a vida!Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meupai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do paijovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturamfortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimostempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai.Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesseperíodo, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge eCristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital SarahKubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida,libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos ecolocando no lugar: o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e àdoutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fuientender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, ecom ela.Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração oubatimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foiela quem nos ajudou. A ver que a vida não nos pertence.Por isso o medo deperdê-la!A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica eacolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundosachar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte davida.Um salva de palmas para ele.Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso.Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minhaDança dos Boiardos.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008


















Café Psicológico, realizado dia 10 de outubro, no Espaço Luz da FARN.
Participaram os alunos do 4o. ano de Psicologia, a Psicóloga Patrícia Michelle e o coordenador Antonio Alves, além da professora Andréa Bragança.
Foi um bate papo muito interessante sobre vários assuntos relativos à Psicologia Hospitalar que envolvem o dia-a-dia do profissional nas instituições hospitalares. Além de um delicioso lanche que pudemos partilhar.
Espero que todos tenham aproveitado bastante e que tenhamos outros encontros como esse!
Estou postando as fotos que tenho, gostaria que quem tirou outras fotos postasse também para termos mais imagens.
Obrigada!
Participaram os alunos do 4o. ano de Psicologia, a Psicóloga Patrícia Michelle e o coordenador Antonio Alves, além da professora Andréa Bragança.
Foi um bate papo muito interessante sobre vários assuntos relativos à Psicologia Hospitalar que envolvem o dia-a-dia do profissional nas instituições hospitalares. Além de um delicioso lanche que pudemos partilhar.
Espero que todos tenham aproveitado bastante e que tenhamos outros encontros como esse!
Estou postando as fotos que tenho, gostaria que quem tirou outras fotos postasse também para termos mais imagens.
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