
sábado, 6 de dezembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Linda crônica de Fernanda Torres que recebi de Paula Calafange
A dança da morte - Fernanda Torres A peça Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Friedrich Dürrenmatt, foi omelhor espetáculo teatral que meus pais produziram em anos e anos deparceria. Baseada na Dança da Morte, do dramaturgo sueco August Strindberg, ela sepassa no início do século passado e conta a história de um generalaposentado, Edgar, e sua esposa, Alice, que vivem às turras, isolados em umfarol. Um dia, o casal recebe a visita de um primo mafioso, que se esconde comeles no alto da torre. Depois de desassossegar a vida dos dois por dozevertiginosos rounds, o primo cafajeste se manda, devolvendo o par à sua maisderradeira solidão. Jamais vou esquecer meu pai com barbas de Matusalém, vestido de general daI Guerra, dançando furiosamente a Dança dos Boiardos. Era sensacional. Lápelo fim do espetáculo, Edgar se levantava louco, altivo, e dizia:– Agora vou dançar a Dança dos Boiardos!E começava uma coreografia ensandecida, meio russa, meio gaúcha, pulando emtorno de uma espada no chão. Querendo exibir vigor ao primo escroque daesposa, Edgar dança até o limite de suas forças e acaba sofrendo um AVC.A peça termina com Edgar numa cadeira, seqüelado pelo derrame, e Alicearrumando a desordem da casa por causa da passagem do primo. Era de uma beleza terrível, cortante, teatro com T maiúsculo. Quem viusabe. Como com teatro não se brinca, havia ali o prenúncio de algo que viria aacontecer com meus pais anos depois, só que de maneira muito mais doce,amorosa e redentora. São as mensagens que recebemos ao longo da vida.Minha mãe cuidaria dele, e ele dela; mais ela dele, por problemas de saúde,no terço final de seus 57 anos de casados. Uma amiga gostava de dizer quemeu pai ainda estava vivo porque minha mãe e ele queriam assim.Em 1986 meu pai sofreu um primeiro derrame, não detectado, durante arepresentação da tragédia grega Fedra. Ele esqueceu o texto em cena e, comoa neurologia ainda engatinhava, levamos anos para entender que não era umproblema psíquico, mas físico, o início de sua dança da morte, que levouvinte anos para acontecer.Meu pai é um mistério tão grande para mim que fica difícil falar dele numacrônica.Mas, como estou chegando à conclusão de que todo pai é um mistério para osfilhos, ao contrário das mães, que são desabridas, arrisco aqui um modestoperfil.Dono de um humor cortante, que seria cômico se não fosse sério, doce esádico, careta e maluco, velho e criança, meu pai foi produtor, diretor eator, um homem dedicado a todas as facetas do teatro.Teve coragem de largar a medicina, enfrentando o pai médico e político dostempos da política do café-com-leite, para fazer parte dessa profissãoetérea. Dizem que o estalo se deu no trote da faculdade, quando em plenaCinelândia ele gritou:'Fiat Lux!'. E as luzes da praça se acenderam numa sincronicidade cósmica.Foi ali, logo de cara, que perdemos um médico e ganhamos um diretor. Devo aele toda a minha curiosidade científica, devo a ele dizer o que penso,comopude fazê-lo inclusive à ele mesmo, sem achar que lhe faltava o respeito,isso me fez forte, devo a ele o cinema, a infância, Veneza, Machu Picchu,Buenos Aires e as montanhas russas. Que tudo inclusive as brigas devem serencaradas de frente, sem medos, sem receios, porque viver, é ter coragem deencarar a vida!Devo ao meu pai tudo o que sou que não é ser atriz, e certamente devo ao meupai a promessa de alguma serenidade diante da velhice e da morte.Como ele adoeceu há muito tempo, as lembranças do homem de teatro, do paijovem e doidão, do barbudo enraivecido pela censura de Calabar se misturamfortemente com as do Fernando de saúde frágil com quem convivi nos últimostempos. É muito difícil para um filho lidar com a doença de seu pai.Por isso, gostaria de agradecer às muitas pessoas que nos ajudaram nesseperíodo, em especial à Roberta, sua fisioterapeuta, aos enfermeiros Jorge eCristiano e, acima de todos, à doutora Lúcia Braga, do Hospital SarahKubitscheck, que deu ao meu pai cinco, seis, dez anos a mais de vida,libertando-o dos especialistas em doenças, cortando catorze medicamentos ecolocando no lugar: o teatro, os barcos, o pingue-pongue e a vida; e àdoutora Claudia Burlá, geriatra, especialização cuja profundidade só fuientender na noite em que meu pai morreu, em casa, conosco em torno dele, ecom ela.Sem tubos, sem CTIs, sem prolongadores artificiais de respiração oubatimentos cardíacos. Foi ela que mandou chamar a mim e ao meu irmão, foiela quem nos ajudou. A ver que a vida não nos pertence.Por isso o medo deperdê-la!A morte do meu pai foi uma experiência tão caseira, humana, pacífica eacolhedora, apesar do sofrimento e da dor, que me fez por alguns segundosachar que esse absurdo que é a morte, afinal de contas, pode fazer parte davida.Um salva de palmas para ele.Foi um guerreiro discreto, forte e corajoso.Espero conseguir ser assim quando chegar a hora de eu dançar a minhaDança dos Boiardos.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008


















Café Psicológico, realizado dia 10 de outubro, no Espaço Luz da FARN.
Participaram os alunos do 4o. ano de Psicologia, a Psicóloga Patrícia Michelle e o coordenador Antonio Alves, além da professora Andréa Bragança.
Foi um bate papo muito interessante sobre vários assuntos relativos à Psicologia Hospitalar que envolvem o dia-a-dia do profissional nas instituições hospitalares. Além de um delicioso lanche que pudemos partilhar.
Espero que todos tenham aproveitado bastante e que tenhamos outros encontros como esse!
Estou postando as fotos que tenho, gostaria que quem tirou outras fotos postasse também para termos mais imagens.
Obrigada!
Participaram os alunos do 4o. ano de Psicologia, a Psicóloga Patrícia Michelle e o coordenador Antonio Alves, além da professora Andréa Bragança.
Foi um bate papo muito interessante sobre vários assuntos relativos à Psicologia Hospitalar que envolvem o dia-a-dia do profissional nas instituições hospitalares. Além de um delicioso lanche que pudemos partilhar.
Espero que todos tenham aproveitado bastante e que tenhamos outros encontros como esse!
Estou postando as fotos que tenho, gostaria que quem tirou outras fotos postasse também para termos mais imagens.
Obrigada!
domingo, 31 de agosto de 2008
E por falar em saúde
Como vocês não deveriam tentar curar os olhos sem a cabeça ou a cabeça sem o corpo, também não deveriam tentar curar o corpo sem a alma, e esta é a razão por que a cura de muitas doenças é desconhecida dos médicos de Hipócrates porque eles desconhecem o todo que também deve ser cuidado.... Platão
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Livros que vale a pena ler!
O câncer como ponto de mutação. Lawrence Le Shan
O coração sente, o corpo dói. Como reconhecer e tratar a Fibromialgia. Evelin Goldenberg
Viver bem apesar de tudo. Desfrutando a vida durante o tratamento. Bernie Siegel
Perdas & Ganhos. Lya Luft
Por um fio. Dráuzio Varela
Você conhece outros títulos e quer sugerir a leitura? Então aproveite o espaço em nosso blog e comente. Seja bem-vindo!
O coração sente, o corpo dói. Como reconhecer e tratar a Fibromialgia. Evelin Goldenberg
Viver bem apesar de tudo. Desfrutando a vida durante o tratamento. Bernie Siegel
Perdas & Ganhos. Lya Luft
Por um fio. Dráuzio Varela
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sábado, 16 de agosto de 2008
Psicologia Hospitalar
A turma de Psicologia Hospitalar do quarto ano da FARN, hoje construiu um conceito de Psicologia Hospitalar que gostaria de compartilhar.
"Psicologia hospitalar é o ramo da Psicologia que se destina a promover o acolhimento do paciente, família e equipe, com o intuito de aliviar o sofrimento psíquico, oferecendo suporte humanizado, informando e cuidando, com foco nas necessidades do paciente. Assim como potencializar o paciente a participar de seu processo de adoecimento de forma ativa e vivenciando da melhor forma sua recuperação."
Comentem, contem casos, critiquem, sugiram... Vamos continuar ajudando a compreender e construir esse ramo tão especial da Psicologia!
"Psicologia hospitalar é o ramo da Psicologia que se destina a promover o acolhimento do paciente, família e equipe, com o intuito de aliviar o sofrimento psíquico, oferecendo suporte humanizado, informando e cuidando, com foco nas necessidades do paciente. Assim como potencializar o paciente a participar de seu processo de adoecimento de forma ativa e vivenciando da melhor forma sua recuperação."
Comentem, contem casos, critiquem, sugiram... Vamos continuar ajudando a compreender e construir esse ramo tão especial da Psicologia!
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
A jardinagem da vida.
Hoje fomos podar umas árvores e ajeitar o jardim. Trabalho duro, sol forte e muito calor. E tome tesouradas, “serrotadas” e “arrancações”. Meu companheiro de jardinagem perguntou, ao me ver empunhando a tesoura: E o que você entende disso, mulher? Eu respondi: Nada, mas adoro aprender coisas novas!
E como sempre acontece comigo, quando o corpo trabalha arduamente a cabeça divaga longe... Comecei a pensar em tantas coisas! Primeiro: como é bom experimentar, inventar, aprender coisas novas, mesmo que o braço ainda me doa até agora. A árvore até que ficou bonitinha e nem tão torta assim... Segundo: a vida é uma grande jardinagem. A gente sempre tem o que arrancar, podar, cortar, exterminar, semear, adubar, colher...
Pense bem, caro leitor, já pensou se o jardineiro for tão ambientalista que não admita a hipótese de arrancar um ser vivo da terra, ainda que seja uma erva daninha? Com o tempo elas infestariam o jardim de tal forma que não haveria mais espaço para as flores e frutíferas. E se ao contrário ele cortasse tudo que visse pela frente ameaçando a estética que imaginou para aquele lugar? Boas e belas plantas perderiam a chance de embelezar ainda mais o jardim, ainda que meio fora da estética planejada.
Na vida também é assim. Somos seres que nos fazemos na relação. Relação que estabelecemos conosco mesmos, com os outros, com o meio ambiente, com tudo e todos enfim. Há relações de todos os tipos: as frutíferas, as daninhas, as fortes e duradouras, as que só duram uma estação, as que nos acrescentam, as que só nos exaurem e aquelas que já foram ótimas um dia mas, como “bananeiras que já deram cacho” melhor serem arrancadas. Há ervas daninhas que se espalham onde não foram chamadas, mas que aparentam ser tão bonitinhas que a gente vai deixando-as ficarem ali. Quando nos damos conta, não há espaço para mais nada nem disposição para arrancá-la dali, afinal a “coitadinha” parece ser tão inofensiva, tão frágil, o que será dela sem nós?
Tem plantas que a gente lamenta muito quando morrem, afinal nosso jardim ficava tão melhor com ela, mas tudo na natureza tem seu tempo de nascer e de morrer, deveria ser o tempo dela. O alento está em saber que demonstramos a ela, quando ainda vivia, nossa alegria em tê-la por perto, nosso afeto e consideração. E não podemos esquecer que ela nos modificou e isso nem a saudade pode nos tirar.
E a maravilha de conhecer o tempo de cada planta? Algumas a gente já planta grandes, em plena beleza, outras semeia e até se esquece delas, porque parecem não ter vingado, mas meses depois... tcham! Uma bela flor a espreitar. E a delícia de saborear uma fruta cuja árvore foi plantada e cuidada por nós? Nada igual.
Há plantas que florem o ano todo, desde que bem cuidadas, regadas, adubadas. Outras que nem todo adubo do mundo é capaz de fazer crescer e enraizar. Algumas não chegam a brotar, talvez por apego à semente ou medo da desconhecida germinação, preferem não viver a metamorfose da vida e algum tempo depois já estão apodrecendo. Há também jardineiros relapsos, que imaginam que o jardim vai viver e florir sem ajuda, sem cuidado, sem as mãos jardineiras a lhe conduzirem, aguando sempre, colocando estacas, fazendo podas, corrigindo rumos, semeando o novo.
O modo de cuidarmos do jardim da vida é capaz de revelar quem somos nós. Nossas qualidades e falhas, nossas facilidades e dificuldades. Há quem seja de muita rega e pouca poda, como dizia Artur da Távola. Há quem não pode nunca e seu jardim vira floresta, nem o IBAMA pode autorizar a entrada de alguém lá. Mata fechada, inóspita, habitat de criaturas nem sempre agradáveis de conviver. E eles ainda são capazes de reclamar de viverem sós!
Há quem regue demais, periga até matar as plantas de tanta água. Há quem pode tanto que as plantas nunca vão crescer, cada nova célula um corte, cada galhinho uma tesourada, desse jeito não passam de brotos... Há quem não tenha paciência de esperar a floração e arranque as plantas antes que elas tenham tido a oportunidade de irradiar toda a sua beleza, por não respeitar o tempo certo de cada ser. Há aquelas, no entanto, que a gente espera, rega, poda, aduba e nunca dão em nada mesmo. Não há jardineiro que dê jeito em plantas/gente assim. Melhor arrancar logo e plantar coisa melhor no seu lugar, mesmo que nos doa, pelo investimento que fizemos até ali.
E também como a vida, o jardim nunca está completamente pronto, está sempre em mutação, sempre é uma nova possibilidade. Aquilo que a gente imaginava ficar bem aqui, não se dá bem com muito sol e não prospera, o outro que a gente idealizava ficar bem naquele canto, realmente cresce e nos presenteia com lindas flores. As frutas, aves e borboletas que são atraídas pelos aromas, cores e movimentos de nosso jardim, tudo isso faz dele único, de uma beleza ímpar. Como dizia meu amigo “Pequeno Príncipe”: foi o tempo que perdeste com sua rosa que a fez única no mundo.
E maior que a beleza e singularidade do jardim é a riqueza de aprender a arte da jardinagem. É escolher a roupa adequada para lidar com as plantas, onde pisar, onde apoiar a escada, que hora é mais apropriada para a rega e para a poda e também o melhor local para sentar apreciando nossa obra sempre inacabada...
Que Deus nos permita aprender sempre mais, para que nosso jardim seja cada vez mais belo, oloroso, aconchegante, atraente para outros seres, para que ele tenha a “nossa cara” enfim!
Que boas sementes germinem na sua vida!
Hoje fomos podar umas árvores e ajeitar o jardim. Trabalho duro, sol forte e muito calor. E tome tesouradas, “serrotadas” e “arrancações”. Meu companheiro de jardinagem perguntou, ao me ver empunhando a tesoura: E o que você entende disso, mulher? Eu respondi: Nada, mas adoro aprender coisas novas!
E como sempre acontece comigo, quando o corpo trabalha arduamente a cabeça divaga longe... Comecei a pensar em tantas coisas! Primeiro: como é bom experimentar, inventar, aprender coisas novas, mesmo que o braço ainda me doa até agora. A árvore até que ficou bonitinha e nem tão torta assim... Segundo: a vida é uma grande jardinagem. A gente sempre tem o que arrancar, podar, cortar, exterminar, semear, adubar, colher...
Pense bem, caro leitor, já pensou se o jardineiro for tão ambientalista que não admita a hipótese de arrancar um ser vivo da terra, ainda que seja uma erva daninha? Com o tempo elas infestariam o jardim de tal forma que não haveria mais espaço para as flores e frutíferas. E se ao contrário ele cortasse tudo que visse pela frente ameaçando a estética que imaginou para aquele lugar? Boas e belas plantas perderiam a chance de embelezar ainda mais o jardim, ainda que meio fora da estética planejada.
Na vida também é assim. Somos seres que nos fazemos na relação. Relação que estabelecemos conosco mesmos, com os outros, com o meio ambiente, com tudo e todos enfim. Há relações de todos os tipos: as frutíferas, as daninhas, as fortes e duradouras, as que só duram uma estação, as que nos acrescentam, as que só nos exaurem e aquelas que já foram ótimas um dia mas, como “bananeiras que já deram cacho” melhor serem arrancadas. Há ervas daninhas que se espalham onde não foram chamadas, mas que aparentam ser tão bonitinhas que a gente vai deixando-as ficarem ali. Quando nos damos conta, não há espaço para mais nada nem disposição para arrancá-la dali, afinal a “coitadinha” parece ser tão inofensiva, tão frágil, o que será dela sem nós?
Tem plantas que a gente lamenta muito quando morrem, afinal nosso jardim ficava tão melhor com ela, mas tudo na natureza tem seu tempo de nascer e de morrer, deveria ser o tempo dela. O alento está em saber que demonstramos a ela, quando ainda vivia, nossa alegria em tê-la por perto, nosso afeto e consideração. E não podemos esquecer que ela nos modificou e isso nem a saudade pode nos tirar.
E a maravilha de conhecer o tempo de cada planta? Algumas a gente já planta grandes, em plena beleza, outras semeia e até se esquece delas, porque parecem não ter vingado, mas meses depois... tcham! Uma bela flor a espreitar. E a delícia de saborear uma fruta cuja árvore foi plantada e cuidada por nós? Nada igual.
Há plantas que florem o ano todo, desde que bem cuidadas, regadas, adubadas. Outras que nem todo adubo do mundo é capaz de fazer crescer e enraizar. Algumas não chegam a brotar, talvez por apego à semente ou medo da desconhecida germinação, preferem não viver a metamorfose da vida e algum tempo depois já estão apodrecendo. Há também jardineiros relapsos, que imaginam que o jardim vai viver e florir sem ajuda, sem cuidado, sem as mãos jardineiras a lhe conduzirem, aguando sempre, colocando estacas, fazendo podas, corrigindo rumos, semeando o novo.
O modo de cuidarmos do jardim da vida é capaz de revelar quem somos nós. Nossas qualidades e falhas, nossas facilidades e dificuldades. Há quem seja de muita rega e pouca poda, como dizia Artur da Távola. Há quem não pode nunca e seu jardim vira floresta, nem o IBAMA pode autorizar a entrada de alguém lá. Mata fechada, inóspita, habitat de criaturas nem sempre agradáveis de conviver. E eles ainda são capazes de reclamar de viverem sós!
Há quem regue demais, periga até matar as plantas de tanta água. Há quem pode tanto que as plantas nunca vão crescer, cada nova célula um corte, cada galhinho uma tesourada, desse jeito não passam de brotos... Há quem não tenha paciência de esperar a floração e arranque as plantas antes que elas tenham tido a oportunidade de irradiar toda a sua beleza, por não respeitar o tempo certo de cada ser. Há aquelas, no entanto, que a gente espera, rega, poda, aduba e nunca dão em nada mesmo. Não há jardineiro que dê jeito em plantas/gente assim. Melhor arrancar logo e plantar coisa melhor no seu lugar, mesmo que nos doa, pelo investimento que fizemos até ali.
E também como a vida, o jardim nunca está completamente pronto, está sempre em mutação, sempre é uma nova possibilidade. Aquilo que a gente imaginava ficar bem aqui, não se dá bem com muito sol e não prospera, o outro que a gente idealizava ficar bem naquele canto, realmente cresce e nos presenteia com lindas flores. As frutas, aves e borboletas que são atraídas pelos aromas, cores e movimentos de nosso jardim, tudo isso faz dele único, de uma beleza ímpar. Como dizia meu amigo “Pequeno Príncipe”: foi o tempo que perdeste com sua rosa que a fez única no mundo.
E maior que a beleza e singularidade do jardim é a riqueza de aprender a arte da jardinagem. É escolher a roupa adequada para lidar com as plantas, onde pisar, onde apoiar a escada, que hora é mais apropriada para a rega e para a poda e também o melhor local para sentar apreciando nossa obra sempre inacabada...
Que Deus nos permita aprender sempre mais, para que nosso jardim seja cada vez mais belo, oloroso, aconchegante, atraente para outros seres, para que ele tenha a “nossa cara” enfim!
Que boas sementes germinem na sua vida!
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